Consumir um cigarro leva em média de 3 a 5 minutos. Fazendo um breve cálculo, devo ter demorado 34 minutos para chegar de casa até aqui. Sinto frio, uma cerveja para esquentar seria legal. A vista é bonita, as luzes da cidade multicoloridas brilham na paisagem e refletem no rio, as estrelas mesclam-se ao cenário e tudo parece uma aquarela muito bem pintada. Mentira, na verdade a visão daqui da ponte é meio merda, mas até merda pode parecer bonita com um bom toque de poesia.
Há dois garotos pescando, estão um pouco afastados. Um usa uma camisa vermelha listrada, o outro está de verde; me olham com desconfiança mas continuam na sua atividade. Acendo mais um. O que disse antes era mentira, a cena não é merda, eu gosto de vim até aqui para pensar, sentir a brisa. Esse lugar me traz muitas memórias, algumas bem felizes, outras nem tanto, mas toda lembrança tem sua utilidade. Por algum motivo aleatório lembro de uma garota de medicina me indagando algo que já não lembro enquanto eu observava o pôr do sol. Ela sempre me pareceu uma pessoa simpática apesar de nunca termos uma conversa que durasse mais que três minutos.
Observo que na carteira está faltando o cigarro da sorte, talvez tenha ficado entre os três cigarros que dei para meu amigo, talvez eu o tenha fumado sem nem perceber. Pego qualquer um, acendo o isqueiro, trago. A ansiedade é temerosa, você sente literalmente o tempo todo algo te sufocando, você arranha sua garganta, bebe água, deita, levante, faz de tudo, mas acender um cigarro realmente faz aquilo passar. São belos cinco minutos de liberdade. Por outro motivo aleatório lembro que jogar cigarros pelo ralo faz obstruir o encanamento.
Observo que na carteira está faltando o cigarro da sorte, talvez tenha ficado entre os três cigarros que dei para meu amigo, talvez eu o tenha fumado sem nem perceber. Pego qualquer um, acendo o isqueiro, trago. A ansiedade é temerosa, você sente literalmente o tempo todo algo te sufocando, você arranha sua garganta, bebe água, deita, levante, faz de tudo, mas acender um cigarro realmente faz aquilo passar. São belos cinco minutos de liberdade. Por outro motivo aleatório lembro que jogar cigarros pelo ralo faz obstruir o encanamento.
Percebo que meu semblante não é nada agradável, os dois garotos ficam olhando fixamente para mim, eles devem achar que vou me matar, me jogar da ponte. Realmente, quando você para de andar na calçada pode dar essa impressão (até para você mesmo). Faço menção de pular, um deles entrega a vara de pescar para o outro, eu volto ao normal. O garoto para, fica me observando por algum momento. Volta a pescar. Eu volto a fumar. Estou rindo um pouco por dentro da situação. Uma viatura passa à toda velocidade, isso me lembra que deixei o celular em casa. Não quero ser assaltado. Ninguém que vai realmente se matar se preocupa em ser assaltado. O garoto da pescaria não sabia disso.
Cansei de ficar olhando as luzes, hora de voltar.
–Te Achei.
Quando abro a carteira percebo que o cigarro da sorte estava ali, e de alguma forma eu não o percebi, guardo-o para mais tarde. Enquanto volto para casa fico meio aluado observando tudo à minha volta. Os pais brincando com seus filhos. Isso me faz considerar ter filhos um dia. O preço das fraudas me faz desistir da ideia. Sozinho na nova casa me sinto um pouco solitário; a mesa está cheia de livros, minha cabeça de pensamentos. Há muita coisa que quero falar, mas fica para uma outra hora. Acendo mais cinco minutos. A cerveja acabou. O texto chegou ao fim.
Está frio. Aqui dentro.
Quando abro a carteira percebo que o cigarro da sorte estava ali, e de alguma forma eu não o percebi, guardo-o para mais tarde. Enquanto volto para casa fico meio aluado observando tudo à minha volta. Os pais brincando com seus filhos. Isso me faz considerar ter filhos um dia. O preço das fraudas me faz desistir da ideia. Sozinho na nova casa me sinto um pouco solitário; a mesa está cheia de livros, minha cabeça de pensamentos. Há muita coisa que quero falar, mas fica para uma outra hora. Acendo mais cinco minutos. A cerveja acabou. O texto chegou ao fim.
Está frio. Aqui dentro.

Nenhum comentário:
Postar um comentário